Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

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sábado, 3 de março de 2012

São Miguel | Os Caminhos de Ferro | A Monarquia | O Progressismo

Em Monarquia éramos, de facto, muitíssimo mais progressistas e…autonomamente respeitados. Azul e branco são, realmente, as nossas cores…e coerentemente as minhas.


O Açoriano Oriental (AO), por intermédio do jornalista Pedro Nunes Lagarto, apresentou na passada quinta-feira (1-3-2012) um brilhante artigo e uma lição daquilo que foi a Monarquia Constitucional, a sua progressista intervenção no povo e daquilo que era viver numa Autonomia alegre e num País de sonhos que projectavam para uma realidade económica mais rentabilizada.
Depois de ler este excelente artigo, fico com a clara convicção que, efectivamente, o nosso presente poderia ter sido muito melhor em Monarquia. Imaginem, meus caros concidadãos, as vantagens que tinham trazido aquelas linhas férreas para a nossa economia… Aquilo que só hodiernamente se conseguiu com o betão das SCUTS…já teríamos muito antes e numa lógica muito mais integrada.
Como sempre, e à semelhança do nosso ex-Tribunal da Relação, aquele que nos foi tirado em 1910 e que hoje, voltando a atrás passado um século, discute-se novamente o seu regresso, também a ré pública, de essência mais centralista e nacionalista, destruiu o sonho e projecto do grande açoriano Dinis Moreira da Motta, acérrimo autonomista. A vaidade do (novo) regime em exibir-se na I Grande Guerra, numa luta que não era nossa, matou portugueses, destruiu famílias e retirou as verbas necessárias para projectos de progresso a Portugal em geral e, in casu, aos açorianos em especial. Fomos remetidos aos caos em apenas 16 anos. Só o reinado do nosso 1.º Rei durou 46 anos…

Passo a transcrever :

«Comboio esteve para chegar a São Miguel há 100 anos
Imagina viajar de Ponta Delgada para a Povoação de comboio? Talvez não, mas em 1897 houve quem tivesse essa pretensão e até apresentasse um projeto para servir a população e a economia local

Há mais de cem anos, um micaelense de nome Dinis Moreira da Motta foi responsável por um projeto que a ausência de investidores e a Grande Guerra (1914/1918) acabariam por derrubar: a construção de um caminho de ferro que uniria os concelhos da ilha de São Miguel. Dinis Moreira da Motta, engenheiro civil, foi ganhando experiência nos finais de oitocentos, primeiro no Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, e depois na Companhia Nacional de Caminhos de Ferro, onde passou a trabalhar na construção e exploração na Linha do Tua e nas linhas das Beiras. Mais tarde regressaria à terra que o viu nascer e em Novembro de 1897 apresentava à Junta Geral do Distrito uma memória descritiva e justificativa de um caminho de ferro que visava unir os concelhos da ilha. Nessa empreitada tinha a seu lado Annibal Gomes Ferreira Cabido - juntos constituíam a “alma” do projeto – sendo acompanhados de uma Comissão Promotora repleta de notáveis. Dinis Moreira da Motta era também irmão de Aristides Moreira da Motta, então um dos líderes do Partido Regenerador no Distrito de Ponta Delgada e um acérrimo autonomista, algo que acabou por influenciar o engenheiro civil, que integrou aquele partido e inclusive foi coautor e responsável pela apresentação nas cortes de um dos projetos de lei sobre a autonomia administrativa dos Açores. Era, portanto, um homem que gozava de posição social. Rei autoriza Por Carta de Lei de 26 de Julho de 1899, com a assinatura do monarca D. CARLOS I, a Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada foi autorizada a adjudicar em hasta pública, precedendo concurso, a construção e exploração de um caminho de ferro entre a cidade, a Vila da Ribeira Grande e a Vila da Povoação. O mesmo aconteceu a 4 de Junho de 1901 com a Junta Geral a ser autorizada a proceder às mesmas formalidades. O prazo para a execução do projeto era de 99 anos a contar da data da assinatura do contrato. O assunto seria ainda retomado com a Lei de 13 de Junho de 1913, autorizando à mesma entidade a construção e exploração, por conta própria ou alheia. A despesa da linha férrea era de 1.275.374$000 réis, ao juro de 5 por cento e, de acordo com o diploma, a Junta Geral podia levantar os fundos necessários, por empréstimo bancário ou por emissão de obrigações, “tudo mediante prévia aprovação do governo”. Obra de “utilidade pública” O projeto surgia como uma obra de “utilidade pública” cujo traçado beneficiaria e serviria cerca de 60 mil pessoas (à data metade da população micaelense) e o comércio interno, em particular Ponta Delgada (onde estava a porta de entrada da ilha, a doca de abrigo), a indústria do álcool (Lagoa) e a produção de cereais (Povoação e Ribeira Grande), não esquecendo Vila Franca do Campo. “Era um projeto de enorme interesse e complexidade. Foi apresentada uma memória descritiva e justificativa, gráficos, perfis e cotas. Dinis Moreira da Motta chegou a encomendar um estudo geológico para saber onde furar e não furar os túneis”, salienta o vulcanólogo Victor Hugo Forjaz. Sonho esfuma-se. O facto é que o projeto nunca passaria do papel dado que à falta de investidores privados se somou a Grande Guerra e o sonho de unir a ilha através de um caminho de ferro esfumou-se enquanto o mundo mergulhava no pesadelo. Mesmo os apelos públicos, através da imprensa, para a subscrição de ações não resultaram. Por exemplo, no Diário dos Açores de 30 de Janeiro de 1920, uma primeira página inteira era dedicada ao assunto. Na publicação enfatizava-se as “inconcebíveis dificuldades” de comunicação na ilha e salientava-se uma “antiga aspiração açoriana” e um projeto de “alcance nacional”, garantindo os seus reputados signatários que face aos fracassos anteriores se haviam munido de “todas as garantias técnicas e financeiras” para o sucesso da empreitada. Com efeito, essa contemplava não só a exploração da linha férrea como também a exploração de carros elétricos em Ponta Delgada, a exploração de serviços de iluminação elétrica pública e particular em Ponta Delgada e outras zonas servidas pelo caminho de ferro e ainda o fornecimento de energia elétrica às fábricas da “ilha verde”. Adquirido é que a visão, a perícia, o empenho e os apelos de alguns nunca surtiram efeito junto da grande massa, que não vislumbrou oportunidade de ver valorizadas as ações face ao grau de complexidade e risco da empreitada, pelo que o curso da história se manteve inalterado e durante muitos anos viajar entre concelhos permaneceu uma empreitada deveras penosa.

Pedro Nunes Lagarto»

Foto - Digitalizada da capa do Açoriano Oriental.
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