Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Não tenham a menor dúvida

Nada mais aconteceu em 5-10-1910 do que a passagem do princípio consuetudinário, de uma forma radicalmente acentuada, da representação de Estado para a sociedade civil. Muita da injecção de inveja incrustada na revolução republicana, em absoluto erro (aquele que hoje é claro em face daquelas monarquias que se mantiveram assim e com tal evoluíram), nada mais conseguiu que chamar para a rua a característica que era inerente e singularmente operativa à Instituição Monárquica.

Eu é que sou o monárquico, mas não quero sequer imaginar que (seja verdade e que) muitos dos ditos republicanos possam estar a passar lugares de pais para filhos em patamares públicos, a moverem influências (e que não são de magistratura) para que os filhos ocupem os lugares anteriormente ocupados por eles. Não quero acreditar que estejam a usar influências de anos em locais de poder e de natureza pública, para arranjarem lugares para a prole, custe o custar. Eu que tudo arranjei às minhas custas, às custas do meu trabalho, que não tive ajudas…é que sou monárquico?! Temo que impere um republicanismo consuetudinário.
Isto chega a recordar-me aquele sketch do Nicolau Breyner em que os piratas, todos esfarrapados (à pirata mesmo…!), ficavam abismados com os relatos dos “colarinhos brancos da tecnocracia” de hoje, acabando por concluir: “Ahhhhhhh e o pirata sou eu!”
Para mim as repúblicas só deviam existir, onde existiam: nas academias…mormente na matriz histórica de Coimbra e outras similares. Era giro e interessante as relações e as tertúlias que se geraram inter-geracionalmente naqueles lugares, melhor ainda quando regadas com bons copos. O grave problema foi que essas, bons espaços idílico-intelectuais, passaram, nos finais do séc. XIX inícios do séc. XX, para a realidade. Resultado em sentido literal: somos uma república. O desgoverno nunca mais terminará, quer tenha copos…quer não!
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Um presidente da república disse «(...)"ser o provedor do povo". O povo. Aquela coisa distante. A vantagem de ser monárquico é nestas coisas. Um rei não diz ser o provedor do povo. Nem diz ser do povo. Diz que é o povo.» (Rodrigo Moita de Deus)

«Chegou a hora de acordar consciências e reunir vontades, combatendo a mentira, o desânimo, a resignação e o desinteresse» (S.A.R. Dom Duarte de Bragança)

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