Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

Intros: 1 2

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"Nada se salva"



«(…)
O que, em princípio, é estranho, porque, fora a dissolução, o Presidente não passa de uma figura isolada e ornamental. Até a influencia que se lhe costuma atribuir depende, em última análise, do prestígio próprio: grande, por exemplo, com Mário Soares, relativamente modesta com Sampaio e Cavaco. Só num caso o Presidente é decisivo: quando não há na Assembleia maioria absoluta.
Num país que se habituou à autoridade irremovível de um “chefe”, e que não vive bem com a negociação e o compromisso, a incerteza e as dificuldades de um parlamentarismo de facto, como ele hoje existe, tornam o Presidente, que é o único ponto fixo do sistema, no árbitro das facções.

Infelizmente, ou felizmente, conforme o ponto vista, as circunstancias não dão a Cavaco espaço de manobra. Se por acaso se inclinar para Sócrates, coagindo o PSD a colaborar, ou dissolvendo a Assembleia logo que a Constituição permita (como o PS inexplicavelmente parece querer), perde o eleitorado da direita (que o elegeu), sem ganhar uma boa parte da esquerda. Se por acaso se inclinar para a direita, deixando Sócrates de sociedade com o PC e o Bloco, fortalece a presuntiva candidatura de Manuel Alegre. Faça o que faça, o que fizer é mau para ele e compromete a hipótese já tremida de um segundo mandato. A crise enfraqueceu o PS e o PSD, sem na realidade das coisas favorecer o CDS, o Bloco ou PC. Chegou agora a vez do Presidente. Nada se Salva.»

Fonte – Jornal Público, de 11/12/2009, última página.
Foto - i, por Pedro Azevedo.

Comentário - Um Chefe de Estado inclina-se para a direita ou para a esquerda ?

Post Scriptum: Conforme é bem clarificado por Vasco Pulido Valente, as trocas e baldrocas que um (candidato a) presidente tem de se “sujeitar” para ser reeleito…
Por fim, não se entende apenas uma coisa referida pelo respeitável autor: único ponto fixo do sistema ?!
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