Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

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sábado, 23 de maio de 2015

Não sou!

«Não, eu não sou Charlie! E não gosto desse jornal!»

Noam Chomsky

Pai da linguística moderna, filósofo e activista político norte-americano, define-se como socialista libertário.

In E, de 16 de Maio de 2015.

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sexta-feira, 20 de março de 2015

Pietá por António, o cartoonista


É este o cartoon, do último sábado, do António (Expresso). Trato-o assim, na primeira pessoa, pois é assim que o artista se apresenta: tu cá, tu lá.

Pietá, relembre-se, é uma obra de Michelangelo, datada de 1499, talvez a mais emblemática das suas esculturas. Representa Jesus morto nos braços de Sua Mãe, encontrando-se exposta na Basílica de São Pedro, no Estado do Vaticano. Esta é uma obra, inquestionavelmente, prima.

Quando nos reportamos a uma obra-prima, não podemos atender apenas ao teor estético dela. Uma obra dessa magnitude é prima pois é transversal, i.e. toca diferentes componentes em cada pessoa: sentimental, religiosa, cultural, sensitiva…e também estética.

Ou seja, aquela escultura não trás significado exclusivo, como por exemplo o religioso, aos cristãos. Também um ateu, sensivelmente reconhecerá a magnificência da obra que visiona, porquanto referencia-se noutros dos aspectos mencionados e que não se resumem ao religioso.

Neste contexto, aquela obra expressa, também, para não crentes, outras dimensões que não são passíveis de catalogar, uma vez entrarmos no mais puro e restrito sentido subjectivo de análise de cada um.

Todavia, Pietá, tem igualmente um sentido humano, pois traduz o sentimento da profunda tristeza de uma mãe que perdeu um filho. Ora, é precisamente neste contexto que não é razoável brincar ou fazer analogias bacocas. O sentimento de uma mãe que chora um filho, não é mensurável e, assim, não é passível de ser transposta sequer para uma graçola política.

É pelo conjunto dos argumentos aqui produzidos que considero lastimável a tentativa do cartoonista em ser engraçado com aquela obra do escultor e precursor do Maneirismo florentino. Se dúvida não existia que António não é profícuo em bom gosto nos contextos humorísticos que cria, desde sábado passado fiquei sem dúvida que não estamos perante um humanista.

Por fim, se António alguma vez teve graça, e ainda possa eventual e pontualmente ter alguma, genericamente tem vindo a perdê-la de forma dramática. Julgo mesmo que o Expresso devia promover, em substituição, o seu colega do Caderno de Economia, que apesar de não aprofundar tanto no traço, nem lhe dar tanta primazia como faz o seu homólogo do Primeiro Caderno, Rodrigo tem hoje, imensamente, mais graça nos contextos que cria.

Never Charlie,
Pedro.

Post Scriptum: Além de tudo, e ao contrário do que o António pensa e muitos outros também, talvez não seja inteligente dar já o Passos como morto…

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Uma resposta árabe

Eis a resposta moderada, "charliezada", intelectualizada e ocidentalizada dos árabes.

Viva a liberdade de expressão e, já agora, porque não, o (des)respeito!

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Os Charlies portugueses

El-Rei D. Carlos e, seu filho, o Príncipe Real D. Luís Filipe, foram vil e barbaramente assassinados por terroristas.

Curiosamente, e passados 107 anos, não se vêem "Charlies" portugueses indignados...

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"Em Portugal, nem todos querem ser 'Charlie' "

Lido num trabalho de Hugo Franco, no Primeiro Caderno do Expresso, de 17-1-2015, pág. 8:

- "Comunidade islâmica condena o ataques em Paris, mas critica as caricaturas de Maomé. Como vivem os muçulmanos depois dos atentados?

Em Portugal, nem todos querem ser 'Charlie'"

- "Muçulmanos voltam a ser olhados de lado nas ruas de Lisboa"

- "Ser contra o terrorismo não significa defender os desenhos que foram capa da revista francesa. 
A maioria dos muçulmanos mostra-se contra os cartoons do profeta".

Nota pessoal - Quero apenas relembrar que a ideologia que se esconde por detrás dos "Charlies", obviamente dispensando aqueles que se afirmam assim sem saberem sequer, por ignorância, que aquela existe, não é tão antiga como a presença muçulmana em Portugal ou até mesmo antes deste País existir. Devemos, objectivamente, muito da nossa actual cultura portuguesa aos muçulmanos.

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Epá, aqui a senhora tem toda a razão!

"Porquê insistir na representação do profeta, que se sabe ofender os muçulmanos?

Não estou de acordo. Não em meu nome."

Ana Gomes
in Expresso, Primeiro Caderno, de 17-1-2015, pág. 10.

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domingo, 18 de janeiro de 2015

Insultos

Julgo que a frase desta muçulmana moderada, sintetiza bem o caso 'Charlie Hebdo':

Visto e ouvido, no dia 14/01, no Telejornal:

"Matar pessoas não é a forma de responder a insultos."

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Libertinagem...

Sendo Maomé um profeta universal e reconhecidamente bom, praticante do bem, não compreendo a razão porque alguns teimam, reiteradamente, em achincalha-lo e, simultaneamente, atingir a sensibilidade, moderada ou não, daqueles que o admiram, chamando a isso: "liberdade de expressão"...

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Vindo de um homem que a esquerda até gosta:


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Canetas e lápis...

Cheira-me que em França já faltou mais para a caneta ("Le Pen") ser mais forte do que o lápis...

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Ouvido ontem no Clube:

"O Hebdo nunca poderá invocar desconhecimento sobre o ataque dos radicais jihadistas, porquanto a sua reiterada política, de má fé, em atingir Maomé, foi perfeitamente consciente perante o conhecimento de todos."

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Pasquins...

Dizer o que se pensa e não seguir em rebanhos, tem um preço elevado.

O Sr. Duque de Bragança assume essa responsabilidade...e eu com ele.

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Ainda bem que no 'Inimigo Público' é mais texto e menos cartoons!


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«Se mandarem os Reis embora, hão-de tornar a chamá-Los» (Alexandre Herculano)

«(…) abandonar o azul e branco, Portugal abandonara a sua história e que os povos que abandonam a sua história decaem e morrem (…)» (O Herói, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro)

Entre homens de inteligência, não há nada mais nobre e digno do que um jurar lealdade a outro, enquanto seu representante, se aquele for merecedor disso. (Pedro Paiva Araújo)

Este povo antes de eleger um chefe de Estado, foi eleito como povo por um Rei! (Pedro Paiva Araújo)

«A República foi feita em Lisboa e o resto do País soube pelo telégrafo. O povo não teve nada a ver com isso» (testemunho de Alfredo Marceneiro prestado por João Ferreira Rosa)

«What an intelligent and dynamic young King. I just can not understand the portuguese, they have committed a very serious mistake which may cost them dearly, for years to come.» (Sir Winston Leonard Spencer-Churchill sobre D. Manuel II no seu exílio)

«Everything popular is wrong» (Oscar Wilde)

«Pergunta: Queres ser rei?

Resposta: Eu?! Jamais! Não sou tão pequeno quanto isso! Eu quero ser maior, quero por o Rei!» (NCP)

Um presidente da república disse «(...)"ser o provedor do povo". O povo. Aquela coisa distante. A vantagem de ser monárquico é nestas coisas. Um rei não diz ser o provedor do povo. Nem diz ser do povo. Diz que é o povo.» (Rodrigo Moita de Deus)

«Chegou a hora de acordar consciências e reunir vontades, combatendo a mentira, o desânimo, a resignação e o desinteresse» (S.A.R. Dom Duarte de Bragança)

«Depois de Vós, Nós» (El-Rei D. Manuel II de Portugal, 1909)

«Go on, palavras D'El-Rey!» (El-Rei D. Manuel II de Portugal)