Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A velha confusão e desinformação

“Como os monárquicos defendendo uma monarquia, vivem e até trabalham para o regime republicano?”

- Face à ignorante confusão contida na questão, e procurando a melhor forma de a aclarar, importa referir: -

Nenhum monárquico, que conheça, trabalha para o actual regime.

Havia ou não havia republicanos no poder, enquanto decorria a Monarquia Constitucional? Na democracia monárquica era perfeitamente legítima e assegurada, a todos os republicanos, a defesa da república. Se não houvesse recurso a meios ilegais para defender essa corrente, nenhum republicano era impedido, em Monarquia, de se manifestar. No entanto, e apesar do que defendiam, estavam a produzir o seu ganha-pão, obviamente, num regime com o qual não concordavam. Mas ninguém os importunou por isso, se não enveredassem pela via ilegal e pusessem em risco os bens essências de terceiros. Recorde-se que a injúria e a difamação foram instrumentos enumeras vezes tolerados pela Monarquia Constitucional, inclusive contra o próprio Rei. 

A enorme diferença dos monárquicos de hoje e d’ontem (e restantes cidadãos portugueses que nunca se deixaram enganar pela república) relativamente àqueles republicanos que aludi, é que os primeiros sempre sustentaram a democracia, defendem o referendo enquanto instrumento do povo e, sobretudo, entregam-se à missão de informar...nunca recorrerão à força das armas sobre uma democracia, aquelas que mataram cobardemente um pai e um filho.

Por fim, não confundir Regime (Monarquia ou república) com governo executado pelo órgão Governo. Normalmente os monárquicos defendem o sistema republicano para o Governo, i.e., por recurso a eleição, mas não para a representação de Estado. Muitos sabem que o melhor garante da 'res publica' é o Rei dada a sua componente apartidária pura. A nomenclatura do regime apenas é atribuída conforme for a sua representatividade de Estado, abaixo disso atrever-me-ia a dizer que a governação pouco ou nada muda na sua forma constitucional.

Coisa bem distinta é trabalhar numa república, sabendo que para recuperar o País seria muitíssimo mais simples em Monarquia. Sempre foram 102 anos a criarem-se barreiras ao desenvolvimento colectivo.

Em suma: Isso de ser monárquico nesta república é como as regras da estrada. Sei que o meu automóvel pode andar a 200km/h (neste caso entenda-se o desenvolvimento do País), e que em segurança fazia a estrada pelo menos a 100km/h. 
Porém, há um sinal proibição de excesso de velocidade (entenda-se a república) que diz que, naquela estrada, só posso andar a 50km/h, embora sabendo que podia andar, pelo menos, seguro, no dobro daquilo que me delimitam. Todavia respeito as regras rodoviárias, pois foram formuladas democraticamente, embora possa não concordar com elas.
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