Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

Intros: 1 2

sábado, 1 de outubro de 2016

Não Sei Bem Porquê...

...mas apeteceu escrever isto:

Este texto não procura ser um manifesto moral ou, sequer, com pretensões a subsumir-se mensagens pró liberalistas ou neoliberalistas, muito menos libertárias, conservadoras ou de direita versus esquerda. Não é esse o propósito.

Quero apenas recordar que a personagem de Archie Bunker era caracterizada, e perdoem-me o termo, por ser um antropoide conservador, medianamente racista e absolutamente defensor de Nixon. Em casa, na sua casa, viviam às custas dele os restantes membros da família…incluindo Michael Stivic, o genro.

Recordando a sitcom de Norman Lear, era raro o episódio em que Archie não fosse qualificado, pelo casal mais novo da casa, composto pela sua filha Gloria e seu marido “meathead”, como retrógrado e atrasado, cujas ideias estavam drasticamente desconchavadas da realidade, a realidade deles, a realidade progressista. Mr. Bunker era, para eles, um homem fora dos valores do progresso que preconizavam.

Sem prejuízo deste contexto, quero pois, e apenas, trazer à colação o fim da série. Nesse, e se bem se recordam, o casal Gloria e Michael tiveram um filho e foram viver para uma outra casa (…finalmente diria Archie). Tempos depois acabam por divorciar-se. Ambos terminam tristes, infelizes e frustrados no ‘All in the Family’.

Por outro lado, na casa mãe, moradia do casal Archie e Edith, e apesar de todas as posturas conhecidas do “chefe de família”, acima enunciadas, o destino não é melhor. Mdm. Edith acaba por morrer. O atrasado do Archie, lá com os seus valores repudiáveis, acompanhou a sua mulher até ao último suspiro, dando-lhe com uma especial sensibilidade o amor que ele genuinamente sentia por ela, isso apesar da forma machista que muitas vezes a tratava e da couraça de troglodita de direita que lhe rotulavam.
 

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