Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

Intros: 1 2

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

S.M. El-Rey D. Miguel I, o Popular

Vídeo.

Texto conexo ao aludido vídeo:



«Foi rei da Quarta Dinastia e o trigésimo Rei de Portugal, e filho de João VI, rei de Portugal e de Carlota Joaquina, rainha de Portugal que nasceu em Queluz a 26 de Outubro de 1802 e morreu em a 14 Novembro de 1866, e que se casou com Dona Adelaide e teve como descendentes sete filhos. Começou a governar em 1828 e terminou em 1834. Nasceu no Palácio de Queluz. Tinha apenas cinco anos de idade quando partiu para o Brasil com a família real, e de lá regressou com os pais e as irmãs em 1821. Era um rapaz alto, elegante, moreno, de grandes olhos escuros. Adorava andar a cavalo e montava muito bem. Era também grande apreciador de caçadas e touradas. Sempre que surgia oportunidade, entrava na arena para enfrentar o touros. Fazia o maior sucesso entre as mulheres. O povo adorava-o. Este príncipe não tinha direito a ser rei porque era o segundo rapaz. Mas as circunstâncias permitiram que se sentasse no trono. Nesta época os portugueses dividiam-se em dois partidos: os "liberais", que queriam um rei a governar de acordo com as leis feitas por deputados; e os "absolutistas", que queriam um rei a governar com todo o Poder nas mãos, ou seja, um rei absoluto. Dom Miguel foi sempre absolutista e tentou impedir que o liberalismo se implantasse em Portugal. No tempo do seu pai, o rei Dom João VI, chefiou as revoltas a que se dá o nome de Vila-Francada e Abrilada.

Como foi derrotado, teve que ir para o estrangeiro. Em 1826 aceitou a proposta que lhe fez o irmão, Dom Pedro. Prometeu casar com a sobrinha e governar o País de acordo com as leis liberais. Mas assim que desembarcou em Lisboa viu-se envolvido em manifestações populares que o aclamavam como rei absoluto. A mãe, Dona Carlota Joaquina, que também era absolutista, incentivou-o a esquecer as promessas e a tomar nas mãos o destino do País sem dar contas a ninguém. A ideia sorriu-lhe e assim foi. Governou oito anos, e que reinado agitado: perseguiram-se os liberais, muitos foram executados, outros fugiram para o estrangeiro. Dom Pedro regressou com tropas e estalou a Guerra Civil. Ora se todas as guerras são horríveis, talvez a pior de todas seja uma guerra assim, pois os adversários são conhecidos, amigos e até pessoas da mesma família. Toda a gente sofreu imenso. Os absolutistas foram derrotados e a paz assinada na Convenção de Evoramonte. O texto da convenção impunha as seguintes condições: Dom Miguel saía de Portugal dentro de 15 dias, para nunca mais voltar a pôr os pés em terra portuguesa ou mesmo na Península Ibérica. Podia levar os bens pessoais mas tinha que entregar as jóias da coroa. No local onde viesse a instalar-se ser-lhe-ia entregue a quantia de sessenta contos por ano, o que na época era muito dinheiro. O príncipe embarcou em Sines no navio inglês Stag no dia 1 de Junho de 1834, com destino a Génova. Aí escreveu logo uma carta a renegar todas as imposições da Convenção de Evoramonte. Recusava-se a aceitar a derrota. Foi uma atitude corajosa, até porque assim também ficava sem dinheiro. Viveu um tempo em Roma. Depois seguiu para Inglaterra e mais tarde para a Alemanha, onde casou em 1851 com a princesa Adelaide de Rosenberg. O casal teve sete filhos. Instalados em Brombach, frequentemente visitados por portugueses, levaram uma existência calma e agradável mas com dificuldades económicas. Sabendo isso, os portugueses que se lhe mantiveram fiéis enviavam donativos para o ajudar.»
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