Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

Intros: 1 2

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Paralelismos sem paralelo

Na 1.ª página do caderno de Economia do Expresso, do passado dia 10 de Setembro, criava-se um paralelo comum entre D. Carlos, Salazar e Passos Coelho. No respectivo desenvolvimento, a pág. 9 daquele caderno, esse paralelismo foi (d)escrito por João Silvestre segundo o título: “Portugal A terceira pior depressão dos últimos 150 anos”.

Não obstante ser substancialmente um bom artigo, na realidade também padecia de enumeras omissões factuais e fundamentais ao pleno esclarecimento da verdade e dos factos acontecidos na época da Monarquia Constitucional, designadamente:
a) A necessidade de revelar que Portugal foi invadido pelos franceses quando se efectuavam grandes obras públicas;
b) Que a Família Real teve de mudar a Corte para o Brasil durante inúmeros anos, enquanto o nosso Portugal era fustigado pelas invasões Napoleónicas;
c) Que Portugal ficou, de um dia para o outro, sem o financiamento do Brasil e D. João VI teve de começar a solucionar essa matéria;
d) Que, logo de seguida, vieram as guerras liberais;
e) Que D. Pedro V e seu irmão D. Luís I tiveram de fazer um investimento tremendo para modernizar o País;
f) Que D. Carlos sofria ferozes ataques do Partido Republicano (de 7%), por erros cometidos pelos partidos Regenerador e Progressista; e
g) Finalmente, com a morte do Rei e de seu filho Luís Filipe, que estavam sensibilizados e preparados para rumarem num investimento em África, acabou por ser o golpe fatal numa aposta certa, séria e autonómica que, em lato sentido, nunca se verificou em república.
Mas para além do referido o que, realmente, choca é que, 103 anos depois, D. Carlos continua a ser vítima, vítima de punições na praça pública por erros que não foram cometidos por ele antes, sim, os resolveu. É muito rudimentar e minimalista, quase a roçar o demagógico e o propagandista, fazer-se o paralelo que foi feito naquele artigo: D. Carlos era Rei e por isso o nosso Chefe de Estado, representante de todos os Portugueses. Homem que no estrito cumprimento da Carta Constitucional, recorreu corajosamente aos seus preceitos para, no contexto da sua magistratura de influência, ajudar os governos incapazes da altura. Pelo que se o artigo de João Silvestre pretendia uma base comparativa por épocas da História, devia, de igual modo, e rigorosamente, usar o correcto paralelo da governação, como fez com Salazar e com Passos Coelho, e atribuí-la, com as necessárias ressalvas positivas e também com as negativas, a um José Dias Ferreira, Hintze Ribeiro ou um João Franco…mas nunca a El-Rey!
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«(…) abandonar o azul e branco, Portugal abandonara a sua história e que os povos que abandonam a sua história decaem e morrem (…)» (O Herói, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro)

Entre homens de inteligência, não há nada mais nobre e digno do que um jurar lealdade a outro, enquanto seu representante, se aquele for merecedor disso. (Pedro Paiva Araújo)

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«A República foi feita em Lisboa e o resto do País soube pelo telégrafo. O povo não teve nada a ver com isso» (testemunho de Alfredo Marceneiro prestado por João Ferreira Rosa)

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«Pergunta: Queres ser rei?

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