Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Antropologicamente pela “tribo”!

É com regozijo que assisto ao início, cada vez mais clarividente, da percepção sobre uma realidade: as repúblicas foram uma moda e como todas as modas duram pouco e desaparecem. Será da “crise”, conforme dizem as populações?! Não sei. Sei sim que algo está a mudar!

O indicativo mais forte vem da Líbia, onde as probabilidades de assistirmos à restauração de uma Monarquia, a mesma que foi abolida (também) pela força em 1969, são bastante evidentes. Naquele ano a Jamairia (República) Árabe Popular e Socialista da Líbia, muçulmana militarizada e de organização socialista, derrubou a monarquia do emir Sayyid Idris al-Sanusi, coroado rei com o nome de Idris I (1951-1969).

Hoje, em meu entender, o povo árabe começa a perceber duas coisas: a) À luz da História foram, em monarquias, mais prósperos e evoluídos; b) Olham à sua volta e constatam onde se encontram outros países com melhores condições de vida, sem desqualificarem as suas raízes maioritariamente muçulmanas.
Outra evidência revela-se nos valores mais elevados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), anualmente apurado pelas Nações Unidas. As Monarquias, presentemente e nas últimas décadas, predominam no top 10. Os dados de 2010 dizem-nos que nos 11 primeiros países do mundo, 8 são monarquias constitucionais…inclusive o top 3. Não me vão dizer que são coincidências!? Objectivamente não acredito nelas! São sim reflexos estruturados que transpõem um ânimo colectivo, neutralmente piramidal, ânimo que promove e projecta uma Nação para o progresso ou, ao menos, para uma segura sustentabilidade. Matéria conexa a uma mentalidade colectiva diferente daquela que uma república nunca conseguirá gerar. Exemplo maior, e já um case study, é a Bélgica. Sem governo é o Rei que sustenta um país cuja economia é, apesar do (des)governo, das mais estabilizadas. Há pois aqui um relançamento, até hoje posto em declínio por alguns, da importância do Rei e da Monarquia Constitucional.
Esta coisa dos Reis não vem dos contos de fadas. Vem da nossa mais primitiva e originária história. É a antropologia que o demonstra. A Monarquia é um sistema estruturado e pensado, não nos cabe o papel redutor de questionar gerações e gerações de aperfeiçoamento de um sistema que funciona empresarialmente, atacando-o com o habitual rótulo vindo de uma inteligência paleolítica de que: “as Monarquias são coisas do passado”! Caríssimos, as repúblicas é que já são coisas do passado!
A antropologia demonstra-nos que “na tribo” deve prevalecer o sabedoria e a experiência. Após criado o Império Romano, a linha sucessória foi lógica para aquele moderno e duradoiro sistema. Na Idade Média prevaleceu, como prevaleceu no Renascimento, no Absolutismo, na transição para o Liberalismo e nos tempos actuais. A experiência e a preparação baseada no tempo são fundamentais! Na Inglaterra houve república: durou 7 anos. Eles perceberam em 7 anos aquilo que nós ainda não atingimos em 100.
Neste contexto cabe o reparo: muitos se queixam da nossa actual Justiça. Ora, um dos seus principais problemas foi precisamente, neste sistema não electivo que é a magistratura, terem-lhe retirado o excelente requisito de um pretendente a decisor singrar com determinada idade e experiência profissional. Os resultados dessa “remoção” são manifestamente conhecidos… O mesmo acontece, com as devidas adaptações, com a abolição da Monarquia…uma magistratura de influência positiva. Perdemos a experiência acumulada. Isto é, como hoje a república vive daquilo que a Monarquia lhe deixou, a Justiça ainda vai sobrevivendo, mais notoriamente nas altas instâncias, da antiga e boa escola de juízes amadurecidos. Existem excepções, poucas, mas existem. Mas como excepção que são, não são pois a regra. O mesmo acontece no regime: podem ter havido bons presidentes em meros 100 anos …mas foram a excepção.
Aquilo que hoje é uma crise de paradigma à escala mundial, não é mais que o resultado final do conjunto das repúblicas que, pelo moda, ocuparam lugares de destaque na gestão dos destinos do planeta e cujos resultados, emanados dessa breve incursão jacobina e revolucionária, revelam-se agora esgotadas. A Ex-URSS, os EUA e a França…são essencialmente os exemplos de destaque. Além dos prejuízos económicos que todos agora pagam, foram também os custos ecológicos irreparáveis dessa mesma moda.
O Rei é de facto o primeiro e o último garante de uma Nação e, sobretudo, de um povo. A sua preparação é objectivamente a chave que nos une como família empresarial, que a sente e a faz andar com as necessárias cautelas para o progresso, sem nunca descurar da sua história.
Como “numa tribo”, os seus/nossos representantes não podem emergir por interesses, pela força, pela beleza ou pelo deslumbre. Devem prevalecer, em consonância com o interesse colectivo, por aquilo que sabem, que podem transmitir e em que podem ajudar os seus congéneres. Daí não advir um efeito benéfico daqueles representantes que surgem, fraccionariamente, de um pólo maioritário (que na representação do Estado tem, pelos votos, inversamente à Governação, um efeito nocivo). Os resultados serão perversos e o invejoso descontrolo instala-se e entranha-se nas gerações. Ora, o Rei é precisamente o garante e obstáculo a que isso aconteça…é o ancião da “tribo”. Aconselha-a para o melhor caminho numa união democrática, uma vez que todos o reconhecem.
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«Se mandarem os Reis embora, hão-de tornar a chamá-Los» (Alexandre Herculano)

«(…) abandonar o azul e branco, Portugal abandonara a sua história e que os povos que abandonam a sua história decaem e morrem (…)» (O Herói, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro)

Entre homens de inteligência, não há nada mais nobre e digno do que um jurar lealdade a outro, enquanto seu representante, se aquele for merecedor disso. (Pedro Paiva Araújo)

Este povo antes de eleger um chefe de Estado, foi eleito como povo por um Rei! (Pedro Paiva Araújo)

«A República foi feita em Lisboa e o resto do País soube pelo telégrafo. O povo não teve nada a ver com isso» (testemunho de Alfredo Marceneiro prestado por João Ferreira Rosa)

«What an intelligent and dynamic young King. I just can not understand the portuguese, they have committed a very serious mistake which may cost them dearly, for years to come.» (Sir Winston Leonard Spencer-Churchill sobre D. Manuel II no seu exílio)

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