Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

Intros: 1 2

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

José Mário Branco morreu

Dois sentimentos, imediatamente, me invadiram:

1.º) Reconhecimento pela sua qualidade como músico, apesar de não simpatizar, de todo, com o homem político;

2.º) Enorme pena que tenha dedicado, estruturalmente, um enormíssimo talento e os seus anos mais criativos a uma ideologia, sacrificando uma opção por uma arte maior (…de que era perfeitamente capaz de alcançar) em detrimento de uma mais pequena e, consequente e redutoramente, recebendo o afastamento de uma admiração universalmente merecida noutro contexto.

É verdade que a música pode ser um instrumento político, mas é simultaneamente inequívoco que é também um caminho mais estreito e menos esplendoroso de arte. Se virmos bem a História da música, aqueles que foram realmente os maiores dos maiores, receberam o reconhecimento geral e universal, usualmente não ficam vincadamente estigmatizados pela marca restritiva “da arte da ideologia” e que subjetivamente um só músico preconiza/ou.

Mais, o radicalismo era, infelizmente, de tal demasia em José Mário Branco, que este perdeu a capacidade da subtileza na redação e construção das suas músicas, aquela subtileza, por vezes, tão mais perfurante do que a objetividade. Em contraponto com tantos outros artistas também de esquerda, quiçá maioritários no espectro musical mundial, esses optam/ram por habilmente vincarem as suas posições, embora de uma forma que o resultado final acaba/ria por não poder deixar de ser reconhecido por todos.

A arte maior bebe na criatividade e a criatividade não pode, nem deve, ser sectária.

Paz à sua alma.

Nota - Tema de José Mário Branco, reinterpretado pelo grupo ‘Primeira Dama’, extraído do álbum “Um Disco para José Mário Branco”.


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