Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

Intros: 1 2

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

EM SUMA: 5-10-1910

«Se gostam do monturo, perseverem

Hoje é 5 de Outubro. Comemora-se o revolverismo de que falava Homem Cristo (Pai); celebra-se a Carbonária e seus dinamitistas; evocam-se os bravos regicidas de 1908, mais os matadores de polícias, mais as prisões particulares em que, de 1911 a 1915, milhares de monárquicos e católicos estiveram detidos sem mandado, sem acusação e sem julgamento; exulta-se pela carnificina do 14 de Maio de 1915, pelos assaltos das populações esfomeadas às padarias e mercearias e pela entrada aos empurrões de Portugal na Grande Guerra.

Hoje é dia de festividades. Festeja-se as tonsuras e medições frenológicas aos Jesuítas e outros regulares; festeja-se a nomeação política dos magistrados judiciais pelo democratíssimo governo de Afonso Costa; festeja-se o encurtamento do universo eleitoral, o saque e queima de redacções de jornais e revistas da oposição, os pronunciamentos militares e o terrorismo da Legião Vermelha, bem como a camioneta da morte da Noite Sangrenta de 21 de Outubro de 1921. E, em maré de comemorativismos, porque não celebrar, também, o corte definitivo da sociedade portuguesa com a Europa civilizada, a ditadura dos professores primários, o triunfo de um republicanismo quase boçal, eriçado de superstições positivistas, os milhares de emigrados, as manifestações europeias pedindo a intervenção das potências num país que era comparado ao insolvente México de Pancho Vila, a bancarrota por duas vezes declarada, o regresso do presidente António José de Almeida do Brasil a bordo de um cargueiro britânico, dado o paquete português que o havia levado ao Novo Mundo haver sido confiscado ao Estado português por incumprimento do pagamento de dívidas ?

A república é, verdadeiramente, uma caixa de surpresas. Percorremos a galeria das criaturinhas e espanta-nos que tenha sobrevivido por 107 anos.

Sosseguem os republicanos e todos os amantes da liberdade, pois nós não somos como os homens do 5 de Outubro: nós não recorreremos a pistoleiros e bombistas, não assassinaremos Chefes-de-Estado, não armaremos paisanos, não faremos tábua-rasa de resultados eleitorais, não faremos medições frenológicas nem desterraremos opositores, não teremos prisões privativas nem juízes nomeados pelo governo, não faremos assaltos à imprensa livre, não viciaremos resultados eleitorais, não proibiremos partidos políticos, não empurraremos ninguém para o exílio, não lançaremos a polícia sobre os sindicatos, não teremos Olímpios nem Camionetas Fantasma.

Se a Restauração vier, virá para aprofundar a liberdade e a união de todos os portugueses. Foram cem anos perdidos, de bagunça seguida de ditadura e ditadura seguida de bagunça.»

Miguel Castelo Branco.

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«Pergunta: Queres ser rei?

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Um presidente da república disse «(...)"ser o provedor do povo". O povo. Aquela coisa distante. A vantagem de ser monárquico é nestas coisas. Um rei não diz ser o provedor do povo. Nem diz ser do povo. Diz que é o povo.» (Rodrigo Moita de Deus)

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