Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Súbditos…

Existem alguns que ficam melindrados com a hipótese de reinstalação de uma Monarquia, pelo simples aspecto de isso os tornar súbditos de Sua Majestade. Esses eu tranquilizo dizendo-lhes que tal termo há muito que saiu do léxico das constituições liberais monárquicas, embora, e falo por mim, não me sentisses absolutamente nada menorizado, enquanto cidadão, de ser súbdito dos Reis de Portugal por quem tenho a maior lealdade, reconhecimento e respeito.

Todavia, importa salientar algo fulcral na nossa sociedade hodierna. Hoje numa sociedade que praticamente só se desenvolve o culto da personalidade, da vaidade e do individualismo, esta reflecte, precisamente, a ausência de uma referência comum que permita trabalhar e produzir conjugadamente em prol do País, ou seja, com um sentido comunitário e inter-activo.

Neste contexto, gosto sempre de lembrar o exemplo germânico do pós-II Guerra, mais concretamente o da parte Federal. Este Povo reergueu um País dos destroços em relativo pouco tempo, tornando-se, de novo, uma potência produtiva sem ter de sacrificar a sua democracia. Antes pelo contrário, melhorou-a e não danificou o respeito colectivo ao contrário daquilo que, por exemplo, fazem ainda hoje os líderes chineses ao seu Povo.

No nosso caso, e desde 5-10-1910, que os Portugueses perderam alguém que os entusiasmasse sem ser à força, alguém em quem se reconheçam e os dignifique. Com as actuais classes políticas, que só almejam poder e/ou fortuna, nem que para isso sacrifiquem princípios gratos aos cidadãos, os portugueses estão cada vez mais patrioticamente órfãos. Não é à toa o reconhecimento que o Povo português teve ao receber em número indescritível, dos respectivos países de exílio, aquando das cerimónias fúnebres em São Vicente de Fora, os seus falecidos Rei D. Manuel II e Rainha D. Amélia. Salazar, esse, apesar de todo o mal que fez à nossa Democracia, não faliu o País e morreu pobre. O Povo ainda hoje sabe isso, fala nisso e mostrou-o no concurso Grandes Portugueses na RTP. É um dado! Hoje os portugueses….não acreditam em ninguém. Com as adversidades económicas sérias que começam a assolar-nos, iremos longe nos actuais moldes? É obvio que não!

Um Rei, enquanto pessoa, não tem mais dignidade humana do que eu ou do que um rico burguês ou ainda do que um pedinte. Tem-na exactamente igual. A diferença encontra-se apenas na maior responsabilidade que, logo à nascença, este cidadão português terá sobre os seus correspectivos concidadãos, por quem, em espírito de missão, deve salvaguardar, proteger e representar.
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«Se mandarem os Reis embora, hão-de tornar a chamá-Los» (Alexandre Herculano)

«(…) abandonar o azul e branco, Portugal abandonara a sua história e que os povos que abandonam a sua história decaem e morrem (…)» (O Herói, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro)

Entre homens de inteligência, não há nada mais nobre e digno do que um jurar lealdade a outro, enquanto seu representante, se aquele for merecedor disso. (Pedro Paiva Araújo)

Este povo antes de eleger um chefe de Estado, foi eleito como povo por um Rei! (Pedro Paiva Araújo)

«A República foi feita em Lisboa e o resto do País soube pelo telégrafo. O povo não teve nada a ver com isso» (testemunho de Alfredo Marceneiro prestado por João Ferreira Rosa)

«What an intelligent and dynamic young King. I just can not understand the portuguese, they have committed a very serious mistake which may cost them dearly, for years to come.» (Sir Winston Leonard Spencer-Churchill sobre D. Manuel II no seu exílio)

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«Pergunta: Queres ser rei?

Resposta: Eu?! Jamais! Não sou tão pequeno quanto isso! Eu quero ser maior, quero por o Rei!» (NCP)

Um presidente da república disse «(...)"ser o provedor do povo". O povo. Aquela coisa distante. A vantagem de ser monárquico é nestas coisas. Um rei não diz ser o provedor do povo. Nem diz ser do povo. Diz que é o povo.» (Rodrigo Moita de Deus)

«Chegou a hora de acordar consciências e reunir vontades, combatendo a mentira, o desânimo, a resignação e o desinteresse» (S.A.R. Dom Duarte de Bragança)

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