Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

Intros: 1 2

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Portugal que temos…

1 de Fevereiro de 1908 - O Rei D. Carlos e o Príncipe Real D. Luís Filipe foram brutalmente assassinados pela Carbonária.

14 de Dezembro de 1918 - Sidónio Pais era abatido por José Júlio Costa.

19 de Outubro de 1921 - O primeiro-ministro António Granjo, Machado dos Santos e José Carlos da Maia, foram mortos por marinheiros, que os foram buscar às suas próprias casas e os conduziram, numa camioneta, até ao local do abate.

13 de Fevereiro de 1965 - O General Humberto Delgado era assassinado pela PIDE.

4 de Dezembro de 1980 - «O avião onde seguiam, entre outros, o primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa despenhou-se em Camarate.*»

Eram assim elencadas cronologicamente uma série de mortes de figuras do Estado português, num artigo escrito, na Revista Única, por Ricardo Sá Fernandes.

Concluía o articulista que teriam todos aqueles acontecimentos um traço comum:

«- Primeiro, lograram liquidar líderes políticos impares, algumas das personalidades mais fulgurantes do século XX português, que, continuando vivas, fariam a diferença.

- Segundo, evidenciaram que a razão de Estado, a inércia, a teia de cumplicidades estabelecidas, o conformismo e a cultura do ‘abafanço’ venceram sempre a justiça, que não foi capaz nem de esclarecer os factos ou punir os principais responsáveis dos crimes cometidos.

Triste sina.»

Apenas acrescentava, às conclusões de Ricardo Sá Fernandes, mais um elemento que corre paralelo com todas aquelas mortes: república.

Fonte – Revista Única*, de 27/11/2010, páginas 48-50.
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