Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

Intros: 1 2

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Conversas Vadias...

Este diálogo “vadio” entre o Miguel Esteves Cardoso (MEC) e o Prof. Agostinho da Silva é brilhante, para ser parco nas palavras. Nota-se um MEC ainda fresco contra o maduro Agostinho. Porém, de evocar o destemor de MEC ao enfrentar o colosso. Em relacionamento entre intelectuais de craveira, monárquicos cada um à sua maneira, MEC percebe e cumpre o velho e distinto ritual de “tourear” o mestre, cabal naqueles cujo pensamento merece destaque. Bem o MEC, já naquela altura! 

Desconhecia esta preciosidade, agradecendo, desde já, àquele que me ligou a esta fonte. Embora sabendo, pela escrita, que o Prof. Agostinho da Silva era um forte defensor do modelo da 1.ª Dinastia portuguesa, com o Rei enquanto maior garante da Res Publica, enquanto modelo fortemente municipal, a realidade é que aquele é genuinamente nosso, não se tratando de mais uma importação. O povo respondia directamente ao Rei, por via dos municípios. Havia uma aproximação original entre Povo e Rei. 

Há muito que defendo a reintegração desse modelo hoje, porquanto nem tudo o que se fez foi/é sinónimo de progresso. Hoje quando a república continua a separar e a desmantelar municípios, julgo que a reforma deve partir inversamente deles, dos municípios. A Monarquia nunca esqueceu o poder municipal, pois o poder do povo, dos municípios, era o poder do Rei. Cortado esse elo…a república instalou-se. 

Em suma, depois de se ouvir esta entrevista, e sabendo dos casos de maior sucesso em Índice de Desenvolvimento Humano (que são as monarquias constitucionais), como se pode, da direita à esquerda, sem excepção, mantermos república? Parece-me mais que óbvio...é lógico, objectivo e racional a vantagem! 

Post Scriptum: Anexa-se também esta interessantíssima entrevista, nas “Conversas Vadias” com Herman José. Julgo que este terá sido dos melhores momentos da carreira do artista.
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«Se mandarem os Reis embora, hão-de tornar a chamá-Los» (Alexandre Herculano)

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