Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

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domingo, 22 de abril de 2018

Do I Conde de Benavente (séc. XIV), ao Capitão João Afonso de Pimentel (séc. XV) até ao presente (séc XXI)

A nobreza da honra é servir o próximo."
     Helgir Girodo

Na sua obra “Títulos nobiliárquicos e registo civil - A inconstitucionalidade da reforma de 2007”, o Professor Doutor António Menezes Cordeiro, vulto proeminente na matéria, referiu que o «(…) título nobiliárquico não se confunde com a qualidade de nobre ou membro da nobreza (o segundo estado, na tradição francesa). Basta adiantar dois traços de distinção: o título é uma designação formal, que carece de um processo de atribuição ou de reconhecimento, enquanto a qualidade de nobre pressupõe, apenas, o acto de nascimento, sendo inerente a quem dela disfrute; o título compete ao agraciado ou, por morte deste e em certos casos, ao seu primogénito, enquanto a qualidade de nobre ocorre, automática e imediatamente, em toda a sua geração. Há titulares sem nobreza (tradicional) e nobres (tradicionais) sem títulos.» 

Posto isto, no século XIV, Juan Alonso Pimentel (João A. Pimentel) era cavaleiro de origem portuguesa ao serviço da Coroa de Castela. Por via do casamento, com Joana de Meneses, era senhor de Vinhais e Bragança, na região do Alto de Trás-os-Montes, sendo, inclusive, um dos títulos da futura Casa de Benavente.

Exatamente pelos altos serviços prestados ao Reino de Castela, o Rei Henrique III de Castela concedia o Condado de Benavente, com caráter hereditário, a 17 de maio de 1398, em favor de Juan Alonso Pimentel, que se tornava o I Conde de Benavente.

Por sua vez, Rodrigo Alonso Pimentel, filho primogénito de Juan Alonso, foi o II Conde de Benavente, senhor de Arenas de San Pedro (1423), de Mayorga (1430) e de Villalón de Campos (1434). Rodrigo teve descendência, cujo segundo filho, Alonso Pimentel y Enríquez, tornou-se o III Conde de Benavente (bem como II conde de Mayorga por morte de seu irmão mais velho e primogénito Juan).

Precisamente da descendência de Alonso, III Conde de Benavente e II Conde Mayorga, o seu terceiro filho, Juan Pimentel y Quiñones, cognominado ‘O das Grotas Fundas’, nascido cerca de 1460 (52), na Galiza (Espanha) e falecido a 2 setembro de 1512 (48-56) em Vila Franca do Campo, Ilha de São Miguel, Portugal, meio irmão de Rodrigo Alonso Pimentel, que sucedeu a seu pai como IV conde e I duque de Benavente, bem como III conde de Mayorga, foi senhor de Allariz, Milmanda, El Bollo, Sandiáñez y castillo de Santa Cruz, casado com Juana de Castro, senhora de Valedoras y Manzaneda, alegadamente progenitores da futura e primeira condessa Rivadavia e, consequentemente, dos futuros condes de Rivadavia. 

Foi deste filho do III Conde de Benavente, neto do II e bisneto do I, que nasceu, cerca de 1485, na Povoação, Faial da Terra, como seu primeiro filho e, assim, primogénito, o Capitão João Afonso de Pimentel, cognominado ‘O Velho do Faial’, cuja descendência decorreu naquela terra, desde daquela data até ao presente e que foi, por via paterna, lado Couto (avó), e segundo o evidenciado, preciso e exaustivo trabalho genealógico do Sr. Eng. Silvério Machado, o 10.º avô de minha avó, 11.º avô de meu pai e meu 12.º.

Apenas esta semana comunicaram-me e tive conhecimento destes factos, factos que suscitados pelo aludido trabalho não fazem de mim melhor pessoa ou me sedimentam mais predicados. Tais factos apenas me servem para, em satisfação, devo admiti-lo sem reservas, poder conhecer melhor as minhas raízes, as minhas origens, tentar, de algum modo, perceber alguns comportamentos e posturas tradicionalmente intrínsecas nos meus antepassados e nos valores éticos e morais da nossa família e que, em resumo, me possam explicar e orgulhar de quem sou e dos meus entes, sejam eles ancestrais ou contemporâneos, afastados ou próximos ou, ainda, ascendentes ou descendentes.

Fontes - Por facer bien e merced - La creación del Condado de Benavente en 1398; Castro y Castro, Manuel de (1982). El Real monasterio de Santa Clara de Palencia y los Enríquez, almirantes de Castilla. Tomo I (1ª edición). Palencia: Institución Tello Téllez de Meneses y Excma. Diputación Provincial de Palencia. ISBN 978-84-500-7947-0; Soler Salcedo, Juan Miguel. Nobleza Española: Grandeza Inmemorial 1520. Madrid: Visión Libros. ISBN 978-84-9886-179-2.;Salazar y Acha, Jaime de (2000). Centro de Estudios Políticos y Constitucionales, ed. La casa del Rey de Castilla y León en la Edad Media. Colección Historia de la Sociedad Política, dirigida por Bartolomé Clavero Salvador (1ª edición). Madrid: Rumagraf S.A. ISBN 978-84-259-1128-6; Sosa, Jerónimo de (1676). Noticia de la Gran Casa de los Marqueses de Villafranca y su parentesco con las mayores de Europa. Nápoles: Novelo de Bonis, impresor arzobispal; Geni; Estudo Genealógico "Antepassados de Capitão João Afonso Pimentel", por Machado, Silvério (Eng.).

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