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sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Stefan Wyszyński
Papado do fortalecimento
sábado, 6 de agosto de 2016
Dois Prismas - O Religioso e o Secular
domingo, 27 de abril de 2014
Canonizações
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Ouvido de um Cardeal português, ex-membro da Alta Cúria Romana
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
A curta margem de erro
O eventual problema que hoje se coloca é que qualquer outro, depois dele, por melhor que seja, pode estar desfasado daquele equilíbrio...mesmo que ligeiramente.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Apesar de todas as Ordens católicas...
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Os voluntários...
sábado, 30 de abril de 2011
sexta-feira, 2 de abril de 2010
domingo, 13 de setembro de 2009
Uma Questão de Fé... (in :Ilhas N.º 13 - 02/02/2004)
Esta presença above us que nos referimos, e como bem sabem, está directamente conectada com velhas questões, a mais distinta delas a da origem de toda a existência universal, tema este rebatido pela Filosofia ao longo de séculos. Pelo que a nós toca, a resposta reside, acima de tudo, numa espiritualidade que flui nos seres humanos, que nos atribui a tão inexplicável racio, que nos distingue dos outros seres vivos. Esta razão assume especial nitidez se dermos atenção e relevância por intermédio de fenómenos como os da arte e da cultura, algo que nenhum outro ser (sem espírito) pode fazê-lo. Nunca nos esqueçamos que muitas espécies não humanas podem, inclusive, desenvolver comunicação, comunidades, sociedades, até mesmo refugiarem-se em utensílios para concretizarem determinados fins (como está provado pela ciência, em relação a algumas espécies de símios), mas nunca, nunca mesmo, criar um objecto e apreciá-lo, apenas pelo prazer que lhe dá observá-lo.
Outra forma de explicação para esta «espiritualidade», foi, por exemplo, concretizada por Santo Agostinho (Sécs. IV-V) que na senda de Platão formulou a primeira síntese da filosofia cristã. Com base nos seus escritos e nos da física de Aristóteles, São Tomás de Aquino (Séc. XIII) elabora a Suma Teológica que congrega as descobertas científicas com o pensamento cristão, dando assim corpo a uma doutrina sistematizada através de pilares como os da fé e o dos costumes. Porém, não se pense que por estarmos a reportarmo-nos a autores de séculos passados, que tenha aquela doutrina desvirtuado, antes pelo contrário, pois quando o Homem se apercebe de como nasce uma estrela, aquilo a que chamaram o fenómeno do «Big Bang», e que supostamente seria a origem do universo (eliminando-se assim um Criador), hoje e agora alguns cientistas ponderam, afinal, a existência de um «Plano» na origem do Universo, regressando, de certo modo, às aludidas doutrinas iniciadas no século IV.
É o próprio Albert Einstein, que veio rejeitar o Universo cuidadosamente ordenado de Isaac Newton (defensor da teoria gravitacional que traduz uma visão mecanicista do Cosmos [deixando assim uma pequena parte para Deus como «primeira causa» do Universo]), e é o mesmo Einstein que depois veio afirmar: «ciência sem religião é coxa, a religião sem ciência é cega».
Presentemente os físicos concluíram que não há forma de determinar, por exemplo, e mesmo que em tese, o que fará o átomo, levando por isso a que alguns teólogos-cientistas considerem que nesta decisão (o átomo desintegra-se ou não?), Deus pode actuar.
Contudo, não é menos verdade que para a origem do mundo, muitos cientistas deixam a fé à porta do laboratório, mas Mehdi Golshani, inspirando-se no Corão, garante que os fenómenos naturais são sinais de Deus no Universo, sendo este o mesmo argumento usado pelo judaísmo, que consagra a ideia de que para chegar a Deus é preciso compreender as suas obras.
Queríamos apenas antes de terminar esta primeira parte, por assim dizer, deixar um de muitos exemplos interessantes, de um homem de ciência: Charles Townes.
Townes, partilhou o prémio Nobel da Física, por ter descoberto os princípios dos raios laser, tendo afirmado «como crente, sinto profundamente a presença e acção de um ser criador, que está muito além de mim e, contudo sempre pessoal e próximo». Presentemente, professor na Universidade da Califórnia, em Berkeley, acredita que as recentes descobertas em cosmologia revelam «um Universo que se harmoniza com as ideias religiosas», mais especificamente que, «de algum modo, a inteligência deverá ter estado associada às leis do universo».
Querendo abordar agora uma segunda parte, à qual se reportaria à própria definição de Deus quando submetida à visão religiosa, nunca poderíamos deixar de relembrar quantas são as formas como diversas civilizações viram e vêem Deus ao longo de séculos (veja-se Zeus, Júpiter, Odin, Iavé, etc). Hoje todas as verdadeiras religiões crêem, ao seu modo, Naquela Forma Divina a quem também se chama Deus.
Como é óbvio nós temos a nossa própria visão, ou seja, uma fé e crença que não contradizem nem colidem com as outras «formas de ver Deus». Mas enquanto Aquele for significado de paz e solidariedade entre os homens, o nosso estandarte tanto se erguerá pelo catolicismo, como pelo Budismo, pelo Judaísmo ou, até, pelo Islamismo.
Todavia achamos haver cabimento, invocar neste texto a «Mensagem» que se revelou ao mundo em pleno Império Romano, através de Jesus Cristo, Aquele que se inclui na Uníssona Tríade Divina. Foi este que trouxe uma nova perspectiva societária de tal modo progressista e revolucionária para a época, que não podemos deixar de a visionar como sendo expressa por alguém que só mesmo poderia ser Deus encarnado.
Convém sempre relembrar de onde emana a origem da Igreja Católica, e esta advém de Jesus Cristo que, na época em que viveu, era, podemos assim afirmar, um revolucionário que se opôs ao regime ditatorial imposto, que só pretendeu a salvaguarda dos interesses da humanidade, que defendeu as mulheres, os vagabundos e os desajustados, que se bateu pela igualdade entre os homens, sempre aconselhando os ricos a repartirem com os pobres, que sempre deu azo às causas que lhe motivavam, indo, inclusive, ao limite máximo, dando a sua vida por essas mesmas causas.
É preciso ver que muitas das críticas contra o Cristianismo, mais em concreto contra o Catolicismo, emanam muitas das vezes de pressupostos de que a Igreja (seu pilar simultaneamente divino e humano) ser tradicionalista, conservadora e desagregada da actual realidade. Porém, tais afirmações só «pecam» por ignorância, e isto acontece porque há aqueles que não lêem, não vêem e ouvem a real Mensagem da Igreja. Uma coisa é aquele que discorda com conhecimento sobre o assunto, mas tem convicções diversas, outra coisa é tentar descredibilizar uma estrutura que tem fundamentos sólidos em doutrinas elaboradas por jurisconsultos, teólogos e filósofos que, no decurso de longos anos e até aos nossos dias, justificam todos os seus modos de actuação. Dizia um professor alemão meu, da faculdade de Direito da Universidade Católica, que «se todos seguissem os Dez Mandamentos, que não era preciso sequer mais uma linha de legislação ou códigos». Isso no fundo vem igualmente ao encontro do que é a riqueza da Mensagem escrita da Igreja, do seu apostolado, que continuamente é renovada e actualizada pelos seus magistérios ordinários sejam eles encíclicos, documentos pontifícios, exortações, ou, até mesmo, pelo Código Canónico, que resulta de um trabalho de séculos, elaborado pelos «juristas das leis divinas», muitos daqueles textos informadores criados na «época patrística», e que resultaram num trabalho jurídico de rara qualidade técnica, que convido tanto os presentes legisladores das leis civis, bem como, qualquer um a lê-lo.
Além do legado escrito, a Mensagem que é transmitida por intermédio da Igreja, passa, também, por esta ser um dos mais eficazes veículos e com mais ampla abrangência no combate às diversas causas sociais que são flagelo das sociedades hodiernas, através do apoio que é prestado pelas suas organizações, congregações, etc.
É na senda desta missão de tentar transmitir uma Mensagem que vem revelar algo nunca antes revelado, que nomes como os do Papas João XXIII, João Paulo II e o da Madre Teresa de Calcutá nos surgem à memória como seus principais arautos.
Não podemos deixar de relembrar que foi precisamente com João XXIII que se iniciou a reintegração e a devida actualização da Igreja perante os homens. É verdade que muitas vezes ela andou desfasada da verdadeira Mensagem, sendo coordenada por quem não a merecia coordenar ao longo dos séculos até, por vezes, confundindo-se princípios basilares da Santa Igreja com interesses próprios, luxuria, etc. Mas tudo isso não invalida o cerne da real Mensagem que ultrapassa tudo isso. E João XXIII apercebendo-se do contexto, e através do magistério extraordinário que se designou por Concílio Vaticano II, consegui inovações para Igreja que até hoje ainda se encontram à frente do seu tempo. Só é pena muitos ainda hoje não compreenderem isso.
Quanto a Madre Teresa de Calcutá o que fez foi, pura e simplesmente, algo duma força extraordinária para um simples ser humano. Ela consegue concretizar em vida o que mais difícil existe, que é ter seguido o caminho menos fácil, ao desfazer-se de todos os seus bens materiais e vocacionar a sua vida ao próximo que é doente, ao próximo que é moribundo, ao próximo que tem falta de afecto, ao próximo que é leproso, etc, etc. Será que nós (cristãos ou não) conseguiremos alguma vez tal feito? Provavelmente não… Até porque muitos de nós estamos tão confortáveis em nossas casas...
Relativamente a João Paulo II, queríamos desde já chamar à colação o mais sublime texto jornalístico que lemos até hoje, e provavelmente um dos mais sublimes que lemos, e que foi escrito por João Bérnard da Costa, na «Casa Encantada», no Jornal «O Público», aquando da celebração dos 25 anos de pontificado daquele Papa. Dizia ele, que muitos Papas ficarão na história, pelo seu conhecimento, pela sua bondade, etc, mas que João Paulo II ficará certamente lembrado pela sua fé. É com base naquela fé, que achamos curioso, para não dizer ridículo, as especulações sobre se ele vai ou não resignar. Ora, quanto a isso estas especulações afiguram-se microscópicas perante a magnitude do exemplo que este homem nos deu e dá, com a sua força na fé, a sua coragem, a sua missão ecuménica, ao estar sempre aberto perante as outras religiões de modo a gerar concertação, por ter tido o desprendimento institucional (quiçá contra padrões conservadores no seio do Vaticano) de pedir o perdão pelos erros cometidos pela Igreja no passado, por pôr a sua vida à disposição do próximo. Em relação a esta última característica citada, veja-se o exemplo escrito na sua Biografia Oficial, em que quando era novo e trabalhava obrigado numa fábrica para o inimigo Nazi, que, entretanto, tinha invadido a Polónia, encontrou no seu caminho, para aquela aludida fábrica, um pobre homem encolhido por estar exposto a temperaturas negativas que se faziam sentir, ele não hesitou em tirar o único casaco que transportava e deu ao pobre homem, tendo depois Carol ficado gravemente doente por ausência do casaco que transportava. É por estes motivos que nem que acamado estivesse, só o facto de sabermos que existe alguém assim na terra que dá e deixará sempre um exemplo desta envergadura, deve só por isso manter-se Papa, sendo a sua presença (apenas) mais que suficiente para nos fortificar na nossa missão enquanto homens que se querem éticos, quando presentemente nas nossas sociedades é isso que cada vez mais falta. Como afirmou uma vez, em Portugal, Michael Gorbatchev, «o verdadeiro socialista vive no Vaticano», reportando-se a João Paulo II.
Para finalizar, gostaríamos de nos referir «à existência de “riquezas” que possui a Igreja e, em particular, o Vaticano, quando existem civilizações inteiras cobertas pelo problema da fome». Porém, qualquer recente licenciado em Economia sabe que mesmo vendendo todos os bens de valor que a Igreja possui, não irradiariam a fome do mundo, nem nada próximo disso. A existência daqueles bens tem uma justificação, quer se concorde ou não com ela, que é a mesma de quem quer oferecer ao seu amigo, de que tanto gosta e que tanto lhe ajudou (isto interpretando subjectivamente na fé de cada um), um presente. Ora se pensarmos que esse «presente» foi dado à Igreja em nome do Criador, ao longo de muitos séculos, facilmente se depreende «as riquezas».
Além disso, e quando nos referíamos à fé de cada um, enumeros cidadãos se referem a determinadas manifestações de fé do nosso povo, como por exemplo, a jornadas que se fazem de joelhos para pagar promessas, como sendo um «espectáculo» que é tido como algo que só revela tristeza, algo de aberrante e brutal, em face de um Deus que se proclama misericordioso?! Todavia, salvo opinião diversa, entendemos que estas manifestações partem de um pressuposto exactamente inverso. Ou seja, quando uma pessoa se autoflagela (vamos assim radicalizar), não o faz por sentimento de tristeza, mas sim pelo de alegria, porque pela sua fé viu algo muito importante na sua vida ser corrigido ou alcançado, quando mais precisava. Por isso, não dever ser encarado este tipo de atitude como um acto meramente físico (e é nesta interpretação que reside o problema), quando do que se trata aqui é de dar não ouro, mas algo ainda maior, a própria crença absoluta em Deus (manifesto da fé), renegando o seu corpo terreno, que supostamente nada interessa, em virtude de um espírito alegre perante algo que colmatou a brecha num determinado momento muito difícil na vida de alguém.
domingo, 6 de setembro de 2009
Nova ONU, Globalização Regulada e a Cimeira do Centro do Mundo
Não podíamos estar mais de acordo com Sua Santidade. É a fundamental fórmula kantiana ainda a prevalecer. Relativamente a esta matéria ("revisão das Nações Unidas"), escrevemos um artigo em 1 de Abril de 2003, publicado na Revista :lhas N.º 10, sob o tema Cimeira.Guerra, o qual passaremos a transcrever, dada o reaproveitamento temporal do assunto. Não obstante esta matéria em particular, abriremos um caderno nas próximas publicações da Acção 288 b, sob tema :Ilhas, dedicado a alguns textos anteriormente publicados e que, agora, possam ainda afigurar algum interesse presente.
«A chegada do avião presidencial norte-americano estava marcada para as 21h50.
(...) O espaço reservado ao público, encontrava-se superlotado (...). Os olhares percorriam a pista na ânsia, mal contida, de verem o avião (...).
No meio da multidão era evidente um dístico, com a seguinte legenda:
“Welcome to Lajes President Nixon!”
Pelas 21 horas e 45 minutos, desceu na pista do Aeroporto Internacional das Lajes o “The Spirit of 76” a bordo do qual viajava o Presidente Richard Nixon e comitiva.» (in “Atântida – Órgão do Instituto Açoriano de Cultura”, página 81, Vol. XVI, Nº 1, Janeiro - Fevereiro de 1972)
Georges Pompidou tinha já chegado ao mesmo local, no Concorde, pelas 16 horas e 48 minutos.
A 13 e 14 de Dezembro de 1971, era realizada a Cimeira Atlântica entre os presidentes dos Estados Unidos da América (EUA) e da França, tendo como anfitrião o Prof. Marcello Caetano, então Presidente do Conselho de Ministros de Portugal.
Segundo a impressa da época, aquela Cimeira prendia-se com as «próximas deslocações do Presidente dos E.U. a Pequim e Moscovo» (in “O Primeiro de Janeiro”, comentário abreviado de Claude Moisy, da A.F.P, sobre os objectivos do encontro da Cimeira Atlântica, a 25 de Novembro de 1971), supondo-se que a preferência dada por Nixon a Pompidou era decorrente das relações especiais que a França mantinha com a, então, União Soviética e com a China.
Porém, a 16 de Março de 2003, com a presença (por ordem de aterrissagem) de José Manuel Durão Barroso, Tony Blair, José Maria Aznar e de, last but not least, George W. Bush, outra Cimeira se iniciava nas Lajes: a Cimeira do Atlântico.
Os fundamentos base, comparativamente à Cimeira de 1971, são totalmente distintos, até porque a de 2003 ficará conhecida como a “Cimeira dos Ultimatos”, aliás, como referia o Açoreano Oriental, do dia 17 de Março de 2003.
Ultimato(s) ou não, o que na nossa opinião acabou por ser o ponto marcante desta última Cimeira foi, indubitavelmente, o pedido dirigido à Organização das Nações Unidas (ONU) e ao seu Conselho de Segurança, para que pudesse reflectir sobre a real eficácia das suas competências. Ou seja, reflectir sobre a sua actualidade na gestão dos interesses e dos conflitos que digam respeito ao mundo no seu global.
Nesse sentido, parece-nos, acima de tudo, haver uma necessidade de revisão, em especial, da estrutura de intervenção do Conselho de Segurança, e, em geral, das Nações Unidas, uma vez que a praticabilidade do direito internacional nestas matérias está, a nosso ver, caducada, devendo assim haver uma actualização do tratado que institui a ONU.
O fundamento desta revisão existe, mais não seja, pela total ausência de posição da ONU, quer fosse aprovando, quer fosse condenando formalmente as iniciativas da Coligação. Além disso, como se justifica que a mais sólida voz a favor da paz, foi daquele a quem o mais notável político do século XX, Mikhail Gorbatchev, chamou, em Portugal numa conferência realizada, como o «verdadeiro socialista» !? Referindo-se a João Paulo II (senhor que muitos agora citam...), foi ele que desde do primeiro momento alertou, quanto a este assunto, para a serenidade e que, simultaneamente, assumiu um papel muito mais interveniente à esfera mundial pelo consenso e pelas soluções políticas. Este papel, por seu turno, contrastante com o da ONU, leva-nos a não perceber porque, até à presente data, Kofi Annan ainda não se demitiu, partindo do pressuposto que a intervenção no Iraque foi ilegítima? Ou a contrario, no seio da ONU encontra-se legitimidade?
(...)
O que é facto, é que se por um lado nem provas, nem reais indícios revelam que Saddam Hussein possua armas de destruição maciça, ou que financie a Al Qaeda de Bin Laden, também não existe qualquer prova ou indício que ele não as tenha, ou que não patrocine aquela organização terrorista. É neste contexto que nos cabe ressalvar, que enquanto Hitler invadia a Europa e, simultaneamente, cometia todas aquelas célebres atrocidades aos judeus, quem as descobriu foram os combatentes que a ele se opuseram, e somente após a guerra é que foram descobertas aquelas monstruosidades no próprio terreno de conflito. O mesmo sucedendo na década de noventa no Kosovo.
(...) Além disso, nunca nos esqueçamos que está a ser levada simultaneamente a cabo, pela Coligação, uma das maiores acções humanitárias na ajuda ás vítimas civis iraquianas.
Por outro lado, a não ser realidade aquele cenário traçado pela Coligação, apenas aos Tribunais Internacionais (e a ninguém mais!) caberá actuar, como verdadeiras instâncias para analisar e julgar crimes de guerra. Mesmo porque, a existir responsabilidade penal, também nomes como Manuel Noriega, Augusto Pinochet ou, mais recentemente, Slobodan Milosevic, nunca supuseram, enquanto no poder, virem a ser julgados por crimes contra a humanidade.
Todavia, também não podemos deixar de ponderar a hipótese deste conflito passar por um forte interesse económico por parte dos Estados Unidos. Assim, esse interesse é justificado, por exemplo, por W. Clark no artigo do jornal “Indy Time”, com o título O Temor do Federal Reserve, através do facto dos EUA temerem que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), nas suas transações internacionais, abandone o padrão dólar e adopte, definitivamente, o euro. Explica aquele autor que o Iraque fez esta sua mudança em Novembro de 2000, quando o euro valia aproximadamente US$ 0,80, tendo escapado ileso da depreciação do dólar frente à moeda europeia, em que aquele caiu 15% em relação àquela em 2002. Talvez deste modo se perceba o cenário: Alemanha + França VS EUA + Reino Unido.
Como é sabido, existem duas posições jurídicas contrárias quanto à intervenção militar. Porém, não querendo entrar nesta complexa questão, e em conflitos que, doutamente, serão mais bem analisados pela doutrina do Direito, apenas gostaríamos de relembrar dois factos: a) Onde residiu a legitimidade para intervir, quando em 1998, na operação Raposa do Deserto, entre os dias 16 e 19 de Outubro, aviões britânicos e americanos bombardeavam instalações suspeitas de albergar armas de destruição maciça? b) Não existirá legitimidade para a actual intervenção quando, por exemplo, em Dezembro de 1999, a Comissão de Monitorização, Vigilância e Inspecção das Nações Unidas, chefiada por Hans Blix, substitui a UNSCOM (Comissão Especial da ONU para o Desarmamento), e o Iraque recusou-lhe a entrada, contrariando todas as regras acordadas?
Ora, se hoje os americanos são “condenados” por promoverem a guerra, não nos esqueçamos do seu papel determinante na protecção e apoio ao mundo ocidental, na robustez da economia daquele, na sua cultura, e, no caso concreto dos Açores, no vincar da importância que une este país ás raízes da nossa Região. Por isso, não nos podermos esquecer da intervenção prestada directamente aos açoreanos pelos americanos (veja-se os incrementos, de variados âmbitos, que foram trazidos aos terceirenses em virtude da base das Lajes), por exemplo, no auxílio que foi concedido às vitimas do desabamento de terras na Ribeira Quente. Daquela tragédia ocorrida, só podem testemunhar, da sua importância, os seus habitantes e os responsáveis do município onde se insere aquela freguesia. Quem lá esteve a ajudar as vitimas, sem qualquer interesse, sublinhe-se, não foram os alemães, não foram os franceses, não foram os russos, não foram os chineses, foram sim os americanos.
Em face de todo o exposto, não vislumbramos qualquer paralelo de fundo a estabelecer em relação às duas cimeiras realizadas nas Lajes, uma vez que os seus contextos são radicalmente distintos.
(...)
«Se mandarem os Reis embora, hão-de tornar a chamá-Los» (Alexandre Herculano)
«(…) abandonar o azul e branco, Portugal abandonara a sua história e que os povos que abandonam a sua história decaem e morrem (…)» (O Herói, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro)
Entre homens de inteligência, não há nada mais nobre e digno do que um jurar lealdade a outro, enquanto seu representante, se aquele for merecedor disso. (Pedro Paiva Araújo)
Este povo antes de eleger um chefe de Estado, foi eleito como povo por um Rei! (Pedro Paiva Araújo)
«A República foi feita em Lisboa e o resto do País soube pelo telégrafo. O povo não teve nada a ver com isso» (testemunho de Alfredo Marceneiro prestado por João Ferreira Rosa)
«What an intelligent and dynamic young King. I just can not understand the portuguese, they have committed a very serious mistake which may cost them dearly, for years to come.» (Sir Winston Leonard Spencer-Churchill sobre D. Manuel II no seu exílio)
«Everything popular is wrong» (Oscar Wilde)
«Pergunta: Queres ser rei?
Resposta: Eu?! Jamais! Não sou tão pequeno quanto isso! Eu quero ser maior, quero por o Rei!» (NCP)
Um presidente da república disse «(...)"ser o provedor do povo". O povo. Aquela coisa distante. A vantagem de ser monárquico é nestas coisas. Um rei não diz ser o provedor do povo. Nem diz ser do povo. Diz que é o povo.» (Rodrigo Moita de Deus)
«Chegou a hora de acordar consciências e reunir vontades, combatendo a mentira, o desânimo, a resignação e o desinteresse» (S.A.R. Dom Duarte de Bragança)
«Depois de Vós, Nós» (El-Rei D. Manuel II de Portugal, 1909)
«Go on, palavras D'El-Rey!» (El-Rei D. Manuel II de Portugal)





