Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

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sábado, 3 de julho de 2021

#AllLivesMatter (III)

Quando Portugal dava lições de verticalidade ao Mundo. Enquanto em 66 o nosso capitão e a nossa estrela maior eram negros, a Seleção inglesa, repito a inglesa, por exemplo, não tinha sequer um negro.
Sempre contra o racismo!
Fomos abandonados por quem nos protegeu em 66 e 16.
Apoio a movimentos terroristas, nunca.
Ao menos no passado, quando caímos, caímos de pé.
Chame on!


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sexta-feira, 10 de julho de 2020

O N.º 9 - AS IMAGENS NÃO ENGANAM: NÃO HÁ CORES DE PELES, HÁ SENTIMENTOS.

Hoje fazem quatro anos que isto aconteceu.

Em 1966, ‘Os Magriços’ alcançaram, na época do “terror” salazarista, o terceiro lugar no respetivo Mundial na Inglaterra, formando uma das poucas equipas, se não mesmo a única europeia, que tinha vários pretos (…sim porque se sou branco, negro é discriminatório na minha opinião*). A Inglaterra, por exemplo, essa muito antiga democracia, apenas tinha brancos no plantel, mas aquele terrível regime salazarista, tão negativamente adjetivado, que tudo, mas tudo fez de mal, tinha vários portugueses de cor de pele escura, dita preta, na equipa, como hoje continuam, e muito bem, a existir como exemplos vivos de sã igualdade.

A amizade entre eles, aqueles jogadores de diferentes raças e etnias que venceram, em 2016, o Europeu de Futebol, devia servir de exemplo para muito preconceituosos e verdadeiros racistas, porquanto são exemplos práticos e vivos de que esse aspeto fulcral suplanta a cor da pele, sendo um enorme orgulho que em Portugal assim seja e tenha sido.

A forma como a MAIORIA dos portugueses receberam a Seleção Nacional em 1966 e em 2016, em especial o Eusébio e o Éder, demonstra bem o racismo estrutural que temos há muitos anos por cá em Portugal, fazendo de nós, perante uns EUA, uns horrendos monstros…

Obrigado Éder, Eusébio, Mário Coluna, Eliseu, Danilo, João Mário, William Carvalho, Renato Sanches, Nani, Quaresma e muitos e muitos outros que defenderam, durante anos, a essência do nosso especial Portugal, sendo eles seres humanos com exata e igual dignidade à minha, apenas de raça, cor ou etnia diferentes.

Por fim, e para aqueles que, em particular, criticaram o Éder à data por ser o “patinho feio” do grupo, porquanto não tinha a “qualidade” dos seus restantes colegas convocados em 2016, o Homem Lá De Cima, respondeu-lhes dando-lhe, merecidamente, a eternidade terrena na consciência dos portugueses de hoje e do futuro…e se repararem na forma milimétrica como foi decidido o encontro não andarei muito longe da alegada frase metafísica que aludi.

Há uma diferença entre nós portugueses em geral para o #blacklivesmatter, é que o segundo quer fazer à força, mesmo que seja um criminoso (…embora ilegítima e barbaramente morto por um assassino), uma pessoa fulcral e exemplar; enquanto em Portugal um rapaz que foi viver para o orfanato porque o pai matou a mãe (…como também acontece com muitos brancos no nosso País há anos) não precisou de ser criminoso, nem tão pouco de ajudas para se impor na vida. Fez por si. Hoje esse rapaz do orfanato, que certamente fez amigos brancos na mesma instituição que o formou e o formou bem, através de técnicos competentes e esmerados, sem pai nem mãe de sexos diferentes... ou de sexos iguais, é reconhecido por todos, é um símbolo de Portugal um pouco como o Eusébio também fora antes dele e nós gostamos muito deste rapaz e o prestigiamos. Essa é, essencialmente, a diferença.

* No inglês preto significa “black” e «“nigger” é um insulto racial, geralmente direcionado a pessoas negras. O insulto provavelmente surgiu no século XVIII como uma derivação da palavra negro da língua espanhola e da língua portuguesa, descendendo do adjetivo em latim niger, que significa negro».

In Pilgrim, David (setembro de 2001). «Nigger and Caricatures». Ferris State University. Consultado em 15 de janeiro de 2019.


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sábado, 16 de julho de 2016

“The King is Dead, Long Live The King”

Começa a aborrecer-me a comparação entre o King e o CR7.

Sejamos objetivos: o CR7 tem mais currículo e, por isso, apenas por isso, é melhor.

Todavia, podemos ser mais extensivos e tentar perceber o contexto de ambos, bem como os seus respetivos trajetos. É neste específico âmbito que poderá tornar-se mais difícil perceber quem foi o melhor. Mas de que modo?! Pela carreira que tiveram.

Enquanto Ronaldo sai de Portugal, concretamente do Sporting, podendo abraçar uma carreira internacional onde, nos grandes clubes, consegue evoluir; já Eusébio, por outro lado, não teve a mesma possibilidade. O Benfica de então, do Regime, não permitiu essa saída e, consequentemente, a carreira do Pantera Negra foi o que foi…grande mas potencialmente aquém de uma ainda maior.


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terça-feira, 12 de julho de 2016

Transcendente

Foi um golo à Eusébio, inspirado pelo CR7 e concretizado por Eder.

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sábado, 4 de julho de 2015

O Panteão - Eusébio e o bandido

O Panteão é um lugar para heróis, um lugar para aqueles que colocaram o nome de Portugal acima de tudo, daqueles que nunca foram fratricidas.

Aos que desprezam a ida de Eusébio para o Panteão, por não ser um intelectual, digo-lhes, na qualidade de sportinguista, que o "King" merece lá estar, incomparavelmente mais legítimo que o bandido regicida do Aquilino Ribeiro...esse intelectual.

O Eusébio, no seu ofício, fazia arte.

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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Elos comuns

Há uma palavra comum que une na formação de Ronaldo, Eusébio, Violinos, Figo, Manuel Fernandes, Nani, Quaresma e Simão: SPORTING!

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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Ainda o cronológico Portugal-Coreia de Sócrates

Lido no Expresso, Primeiro Caderno, de 11-1-2014, a pág. 19, por sua vez extraída de uma rede social:

«Quando cheguei à escola, após o jogo acabar, Sócrates estava lá a comemorar».

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Ouvido esta semana...

...de um ilustre amigo cabo-verdiano: 

"O Eusébio foi branqueado!"
 
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

“Eusébio, és o nosso rei!”

Esta era a frase entoada por milhares de pessoas ao mais ilustre desportista português do século XX, aquando das suas cerimónias fúnebres.
Além daquela expressão, aliavam-se as televisões, rádios e demais meios de comunicação social abrindo os seus noticiários, curiosamente em dia de Reis (6-1-2014), com frases tais como: «A última viagem do “rei”»; «As pessoas prestam a sua homenagem ao “rei”»; etc. Ou seja, foi rotineiro e abundante, mesmo na voz de jornalistas conhecidos, como por exemplo José Alberto Carvalho da TVi, falar-se do “rei” para lá, do “rei” para cá. Sinceramente…até não achei mal.
Ademais, outras das palavras que se ouviram generalizadamente naqueles dois dias (5 e 6 de Janeiro) foram: consenso, união, grandeza, humildade e outras contextualmente similares… i.e. palavras que definem (ou devem definir), de facto, um Rei. Aquilo a que nós, portugueses, já não estamos habituados (ou sequer já conhecemos…), nem formalmente possuímos desde 5-10-1910.
Durante dois dias, curiosamente, criava-se a ilusão, à nossa volta, que tínhamos um Rei e que viveríamos numa (espécie de) Monarquia. O Povo clamava pelo “rei”, bem como entristecia-se, unificado, pela sua perda e aí estaria o novo regime de dois dias. Um povo, o meu, que se apresentou conciliado e unido em torno de um jogador de futebol… de um “rei”. Tal como um Rei, humano, Eusébio, gerava consenso entre partes opostas. Humano (e não tratando-se duma “divindade” com dizia Ricardo Araújo Pereira [e demais dizeres bacocos similares também ditos por outras “personalidades”]), Eusébio, na consciência colectiva, acaba por gerar aquela manta bastante cozida de um enormíssimo conjunto que o respeitava, admirava e sabia da sua importância para Portugal, bem como da sua entrega a este País. Todos sabem que o “rei”, à frente de qualquer interesse pessoal, punha sempre os interesses do colectivo.
Como sportinguista, e apesar de ter manifestado o meu profundo desacordo correlação a uma entrevista que Eusébio deu, em 2011, à revista Única (antiga edição do Expresso), contudo, é me fácil transpor alguma mágoa clubista e reconhecer no benfiquista o seu melhor. E porquê? Porque as suas qualidades e demonstrações ao longo da vida são enormemente superiores a qualquer entrevista ou parcela de vida. Isso também sucede porque interpreto a vida de Eusébio como sendo sempre mais de Portugal do que de um clube…por maior que ele seja. Diria mesmo, como sportinguista, que lhe reconheço o estatuto popular/futebolístico de “king”.
Mas importa ressalvar, talvez como o mais importante, no contexto do triste falecimento precoce de Eusébio que, apesar da melancolia que muitos submergiram, aquando da notícia, cravados num sentimento de perda de uma parte daquilo que era o melhor em nós, por outro lado, emergiu uma esperança, uma estreita esperança num povo que, afinal, pode estar todo unido e dar as mãos e isso é, enormemente, bom.
Eusébio, o jogador da bola (para usar uma expressão vilã), era de facto alguém maior em Portugal e no mundo. Estando nos meus late thirties, fiquei estupefacto com as repercussões mediáticas da sua morte no mundo e como os mais prestigiados meios de comunicação social cobriram com interesse o assunto, quando Portugal é um País que, supostamente, para alguns, não tem interesse. Errado! Mais uma vez se constata que, onde a política e a república não estão envolvidas, Portugal volta a crescer. A muitos custa-lhes que um jogador da bola seja, probatória e objectivamente, maior do que eles, revelando-se aqueles, simultaneamente, e com tais posições, quem são. Uns que não conseguem tolerar que, no País, exista alguém com estatuto popular bastante maior. Outros, de tão habituados que estão a dimensões diminutas, nem sabem como agir perante um fenómeno “imperial” desta envergadura com é o caso de Eusébio. Para que fique claro, estes senhores não gostam de “reis”, não o são, não querem, nem nunca haverão de ser “reis” em Portugal…mas é o povo português que lhes dita ou ditará isso. Esses são os senhores que representam a república…os “reis”, o Reino, são outra realidade: o nosso Portugal!
Por isso para mim é clarividente, Panteão o quanto antes para o campeão Eusébio. Era herói, pois deu enormes alegrias aos portugueses sem ter pedido em troca. Merece, tal como Amália. O dia, a quente e não racionalizado, de 6 de Janeiro de 2014, fala por si. Nunca, em vida, havia visto algo similar àquilo. Não há dinheiro ou logística que devam impedir a trasladação. Se houver falta de espaço no Panteão, tire-se Aquilino Ribeiro, que não merece lá estar, e solve-se a questão. Talvez, quiçá, a logística fique mais em conta.
Em ambiência final, de ressalvar que no estádio da Luz, no dia da morte do supercraque, populares colocaram uma coroa na cabeça da estátua de Eusébio. O povo, à sua maneira, sabe como honrar os seus mais estimados e nobres. Há algo inexplicavelmente nos portugueses que clama por um Rei. Já não é só o vaticínio de Alexandre Herculano, diria mesmo que tal fenómeno é intrínseco ao povo português. Ouvia-se nas ruas de Lisboa: «Eusébio, és o nosso “rei”!»
Na segunda-feira, no dia do seu funeral, foi o povo que disse que aquele homem era o seu "rei", não um homem importante, não um ministro, não um presidente, não um chairman, eles identificaram-no com o melhor que sabiam, com a pureza habitual de um povo: “rei”!
O Eusébio, para ser “rei” não o foi apenas por ser um dos melhores jogadores de futebol que o planeta conheceu. Era preciso mais do que isso. Para todo um País e para uma parte do mundo, o Eusébio era algo mais...um conjunto que todos sabem: homem nobre de sentimentos, homem humilde, homem afável, homem cativante, homem respeitador, homem trabalhador e outros tantos pergaminhos raros hoje num ser humano. 
Quando um Rei morre, todos, mas todos mesmo, entristecem-se e prestam-lhe respeito em união. Foi o que aconteceu com o nosso “rei” Eusébio da Silva Ferreira.

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Equiparações

No dia em que sentirmos, em conjunto, a perda de um chefe de Estado como estamos a sentir a de Eusébio, será o dia em que estaremos, de volta, no bom caminho enquanto colectivo, enquanto País.

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Positivismos negativistas...

Os positivistas andam muito apoquentados com a eventual ida de Eusébio para o Panteão...

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Racionalismo a quente

Desta vez parece-me óbvio que, face ao que aconteceu nos passados dias 5 e 6 em Portugal, qualquer afirmação de (pseudo) racionalidade, quanto ao assunto Panteão, é claramente irracional.
 
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«Se mandarem os Reis embora, hão-de tornar a chamá-Los» (Alexandre Herculano)

«(…) abandonar o azul e branco, Portugal abandonara a sua história e que os povos que abandonam a sua história decaem e morrem (…)» (O Herói, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro)

Entre homens de inteligência, não há nada mais nobre e digno do que um jurar lealdade a outro, enquanto seu representante, se aquele for merecedor disso. (Pedro Paiva Araújo)

Este povo antes de eleger um chefe de Estado, foi eleito como povo por um Rei! (Pedro Paiva Araújo)

«A República foi feita em Lisboa e o resto do País soube pelo telégrafo. O povo não teve nada a ver com isso» (testemunho de Alfredo Marceneiro prestado por João Ferreira Rosa)

«What an intelligent and dynamic young King. I just can not understand the portuguese, they have committed a very serious mistake which may cost them dearly, for years to come.» (Sir Winston Leonard Spencer-Churchill sobre D. Manuel II no seu exílio)

«Everything popular is wrong» (Oscar Wilde)

«Pergunta: Queres ser rei?

Resposta: Eu?! Jamais! Não sou tão pequeno quanto isso! Eu quero ser maior, quero por o Rei!» (NCP)

Um presidente da república disse «(...)"ser o provedor do povo". O povo. Aquela coisa distante. A vantagem de ser monárquico é nestas coisas. Um rei não diz ser o provedor do povo. Nem diz ser do povo. Diz que é o povo.» (Rodrigo Moita de Deus)

«Chegou a hora de acordar consciências e reunir vontades, combatendo a mentira, o desânimo, a resignação e o desinteresse» (S.A.R. Dom Duarte de Bragança)

«Depois de Vós, Nós» (El-Rei D. Manuel II de Portugal, 1909)

«Go on, palavras D'El-Rey!» (El-Rei D. Manuel II de Portugal)