Este é um microcosmo apartidário embora ideológico, pois «nenhuma escrita é ideologicamente neutra*»

*Roland Bartes

Intros: 1 2

domingo, 3 de julho de 2022

Richard Jewell

Inequivocamente há pessoas que, sem prejuízo da sua infinita dignidade humana, por cá andam a fazer pouco, pior, defendem matérias absolutamente irrelevantes e, até, ridículas comparativamente a outras tão mais prioritárias. Clint Eastwood, não pertence a esse grupo. Atrever-me-ia mesmo em ir para além da sua superior qualidade como realizador e colocá-lo como um homem fundamental que melhora o nosso dia a dia e, simultaneamente, já no domínio da sua profissão, como um cineasta que nos enche plenamente com a mais refinada estética, ou seja, a estética dos valores, do essencial na nossa sociedade, em suma: do espírito que, em última racio, é também a (verdadeira) arte.

Mais uma vez nesta película, Eastwood, preenche-nos por completo, toca-nos, defendendo aquilo que ao verdadeiro humanismo importa defender, ele continua sempre a procurar os heróis que estão entre nós ou, se quisermos ver de outro prisma, e para quem acredita: os anjos que nos rodeiam e que muitas vezes nem nos apercebemos estarem juntos a nós. Era como cantavam os ABBA: "I believe in angels...".


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